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A Infelicidade da Juventude

A Infelicidade da Juventude.

O que faz da juventude um período infeliz é a caça à felicidade, na firme pressuposição de que ela tem de ser encontrada na existência. Disso resulta a esperança sempre malograda e, desta, o descontentamento. Imagens enganosas de uma vaga felicidade onírica pairam perante nós revestidas de formas caprichosamente escolhidas, fazendo-nos procurar em vão o seu original. Por isso, nos anos da juventude, estamos quase sempre descontentes com a nossa situação e o nosso ambiente, não importando quais sejam; porque lhes atribuímos o que na verdade pertence, em toda a parte, à vacuidade e à indigência da vida humana, com as quais só então travamos o primeiro conhecimento, após termos esperado coisas bem diversas. Ganhar-se-ia bastante se, pela instrução em tempo apropriado, fosse erradicada nos jovens a ilusão de que há muito a encontrar no mundo. Porém, é o contrário que acontece: na maioria das vezes, conhecemos a vida primeiro pela poesia, e depois pela realidade.Na aurora da nossa juventude, as cenas descritas pela poesia resplandecem diante dos nossos olhos, e o anelo atormenta-nos para vê-las realizadas, a tocar o arco-íris. O jovem espera que o curso da sua vida se dê na forma de um romance interessante. Nasce, então, a ilusão descrita no já mencionado segundo volume da minha obra principal. Pois o que confere a todas aquelas imagens o seu encanto é justamente o facto de elas serem meras imagens, e não a realidade, e nós, por conseguinte, ao intuí-las, encontrarmo-nos na calma e na suficiência plena do conhecer puro. Tornar-se realizado significa ser preenchido pelo querer, que inevitavelmente produz dores.

Arthur Schopenhauer, in ‘Aforismos para a Sabedoria de Vida’

28/08/2011 at 9:52 pm Deixe um comentário

A Liberdade da Auto-Suficiência

A Liberdade da Auto-Suficiência

Quanto mais uma pessoa tem em si, tanto menos os outros podem ser alguma coisa para ela. Um certo sentimento de auto-suficiência é o que impede os indivíduos de riqueza e valor intrínseco de fazerem os sacrifícios importantes, exigidos pela vida em comum com os outros, para não falar em procurá-la às custas de uma considerável auto-abnegação. O oposto disso é o que torna os indivíduos comuns tão sociáveis e acomodáveis: para eles, é mais fácil suprotar os outros do que eles mesmo. Acrescente-se a isso que aquilo que possui um valor real não é apreciado no mundo, e aquilo que é apreciado não tem valor. A prova e consequência disso estão no retraimento de todo o homem digno e distinto. Assim sendo, será genuína sabedoria de vida de quem possui algo de justo em si mesmo, se, em caso de necessidade, souber limitar as suas próprias carências, a fim de preservar ou ampliar a sua liberdade, isto é, se souber contentar-se com o menos possível para a sua pessoa nas relações inevitáveis com o universo humano.

Por outro lado, o que faz dos homens seres sociáveis é a sua incapacidade de suportar a solidão e, nesta, a si mesmos. Vazio interior e fastio: eis o que os impele tanto para a sociedade quanto para os lugares exóticos e as viagens. O seu espírito carece de força impulsora própria para conferir movimento a si mesmo, o que faz com que procurem intensificá-la mediante o vinho. E muitos, ao tomar esse caminho, tornam-se alcoólatras. Justamente por isso, os homens precisam sempre de estímulo exterior, e do mais forte, ou seja, dos seus iguais. Sem ele, o seu espírito decai sob o próprio peso, prostrando-se numa letargia esmagadora.

Arthur Schopenhauer

05/05/2011 at 8:58 pm Deixe um comentário

Príncipe Caspian

Depois de um longo e vergonhoso hiato, finalmente criei vergonha na cara e retomei minhas leituras. Como eu estava lendo a série As Crônicas de Nárnia este foi o primeiro livro desta minha volta, Príncipe Caspian, o 4º volume da série.

A estória deste livro continua a partir do 2º volume da série, O Leão, a Feiticeira e o Guarda-roupa, no qual o quarteto de irmãos formado por Pedro, Susana, Edmundo e Lúcia descobrem o mundo de Nárnia, ajudam os habitantes a se livrarem da tirania da Feiticeira Branca, e depois se tornam reis e rainhas de lá, reinando por vários anos.

No início do livro eles estão em uma estação de trem, esperando pra viajarem pra suas respectivas escolas, pois seus períodos de férias acabaram. Mas enquanto estão lá começam a sentir uma sensação estranha, como se estivessem sendo puxados por uma força invisível, e o local ao redor deles se transformando radicalmente. Quando esse processo termina, eles se vêem não mais em uma empoeirada estação urbana, mas sim em uma praia, tendo logo atrás de si uma floresta muito fechada.

Depois de explorarem o lugar e analisarem as evidências e pistas se dão conta de que estão de volta à Nárnia, porém muitos séculos depois do período em que reinaram. Percebem pelo estado das ruínas das construções que algo deve ter acontecido, que mudou totalmente o país, e provavelmente afetou a vida dos habitantes. Quando ainda estavam decidindo o que fazer e pra onde ir, são surpreendidos com a visão de uma execução, de um anão, chamado Trumpkin, por soldados telmarinos. Então decidem invervir, salvando a vida do pequeno prisioneiro, e ele lhes coloca a par dos acontecimentos, que resultaram na situação em que Nárnia se encontra.

Então decidem ir na ajuda do príncipe Caspian, para auxiliá-lo a depor o tirano rei Miraz, tio de Caspian. Inclusive os quatro irmãos foram trazidos à Nárnia por Caspian, quando este soprou a corneta mágica de Susana, para que algum auxílio fosse enviado, apesar deles não saberem qual seria. E Trumpkin havia sido capturado pelos soldados de Miraz justamente quando se dirigia às ruínas do castelo de Cair Paravel, um dos locais ao qual havia sido enviados mensageiros, para verificar se a ajuda realmente teria chegado.

Eu gostei do livro, apesar de achar menos interessante que o volume anterior, O Cavalo e seu Menino. Talvez por ele repetir os mesmos personagens de O Leão, a Feiticeira e o Guarda-roupa me pareceu menos surpreendente. As partes que mais gostei são as de quando é contada a estória do crescimento de Caspian, sua educação e treinamento para se tornar um bom possível rei, e o evento da rebelião durante uma reunião secreta, quando outro anão, chamado Ninabrik, traz como convidados uma velha feiticeira e um lobisomem, mas eles demonstram ser de nenhuma confiança, e durante uma grande briga acabam mortos, não sem antes causar a morte do próprio Ninabrik.

No final da estória Aslam cria um portal para mandar de volta à Terra as crianças, e também telmarinos que desejem retornar à sua terra natal (pois Aslam lhes explica que eles não são naturais de Nárnia e lhes conta a estória de sua chegada lá), deixando assim o controle com os habitantes nativos, os animais e criaturas mágicas.

02/03/2011 at 11:09 pm Deixe um comentário

Thrud

Thrud é a filha do poderoso deus Thor, meia-irmã dos deuses Magni e Modi.

Alguns deuses haviam prometido-a em casamento ao anão Alvis, se este aceitasse forjar armas para eles. Thor, entretanto, não gostou desse acordo, sentindo que um anão não seria um genro apropriado. Ele então elaborou um teste de conhecimento, afim de se prevenir deste casamento.

Alvis tinha que provar que sua grande sabedoria superava sua pequena estatura. Thor prolongou o teste até o nascer do sol, e Alvis, concentrado no teste, foi tocado pelos raios de sol e se transformou em pedra.

Publicado originalmente em Encyclopedia Mythica

(www.pantheon.org)

09/01/2010 at 12:30 am Deixe um comentário

O Sobrinho do Mago

Comecei a ler esta série anteontem. Muitas pessoas devem conhecer através dos dois filmes que foram feitos, até agora, baseados nos volumes 2 e 4. Espero que continuem a filmar, pois pra quem é fá desse tipo de estória, como eu, é sempre bom ter mais opções.

Mas falando da série, ela é composta de 7 volumes, publicados separadamente e também na forma de um único livro, cuja capa é que está ao lado, e que é a edição que possuo. Pra quem não sabe, o autor da série, C. S. Lewis, foi amigo muito próximo de J. R. R. Tolkien.

A série se inicia com o volume chamado O Sobrinho do Mago. Na estória um garoto e uma garota, Digory e Polly respectivamente, se conhecem por serem vizinhos, e enquanto procuram aventuras em suas brincadeiras descobrem, sem querer, que o tio de Digory, André, que ambicionava se tornar um mago, havia criado anéis mágicos, que permitiam às pessoas viajarem entre as dimensões, visitando assim outros mundos. Mas o Sr. André era um grande covarde, e sem coragem de tentar por si próprio experimentar os anéis para descobrir para onde eles o mandariam, engana as crianças, enviando-as no seu lugar.

A princípio Digory e Polly não vão para outro mundo exatamente, mas para um ponto intermediário entre eles, que batizam de “um bosque entre dois mundos”, um local cheio de lagos que servem de portais para outras dimensões. Entrando em um deles vão parar em um mundo já decadente e moribundo, onde sem querer despertam uma malvada e perigosa rainha, que também é uma feiticeira. Conseguem voltar ao nosso mundo, mas a feiticeira se aproveita e os segue, na ânsia de tentar dominá-lo.

De volta à Londres, depois de um desastroso primeiro encontro entre o tio de Digory e a feiticeira, resolvem tentar levá-la de volta ao seu mundo, mas devido à uma grande confusão acabam indo parar, junto com mais alguns passageiros inesperados, ao mundo de Nárnia, bem no momento de sua criação. E justamente por isso acabam, inadvertidamente, contribuindo com algo que não estava planejado nos planos do criador de Nárnia, o leão Aslam: o mal.

Após esse incidente Digory e Polly conseguem retornar ao seu mundo, levando consigo o tio André. Mas trazem também junto um fruto, que indiretamente possibilitará que outros aventureiros descubram e viajem para Nárnia.

Depois continuo falando sobre os outros volumes da série. Até mais.

25/11/2009 at 12:24 am Deixe um comentário

A Filha do Rei da Juventude

Enquanto Finn e seu filho Oisin, junto a vários companheiros, caçavam em uma manhã brumosa de verão pela margem do lago Lena, foram investigar uma belíssima moça, montada em um corcel branco como a neve. Ela levava um traje de rainha: uma coroa de ouro e um manto de seda marrom com estrelas de ouro que a envolviam e arrastavam pelo solo.
Seu Cavalo levava adornos de ouro.
A donzela se aproximou de Finn e com ele falou:
-Desde longe vim e te encontrei, Finn, filho de Cumhal.
-Qual é sua terra, donzela, e o que desejas de mim?
-Meu nome é Niam a do cabelo dourado. Sou filha do rei da Terra da Juventude, e o que me trouxe aqui é o amor pelo vosso filho Oisin.
Ela girou e falou com o jovem guerreiro e lhe falou com uma voz que ninguém poderia negar algo que fosse pedido:
-Virá comigo, Oisin, à terra de meus pais?
-Contigo irei até o fim do mundo.
Então a donzela falou sobre sua terra, e enquanto o fazia, uma calma de sonhos inundou todas as coisas. Nenhum cavalo se moveu, os cães deixaram de latir, nenhum som do vento mexeu as folhas do bosque.Os homens estavam tão maravilhados que tudo o que ela falou, só puderam se lembrar:

É uma terra deliciosa, acima de todos os sonhos
Mais bela que qualquer coisa jamais vista pelos olhos.
Lá todos os anos têm frutos nas árvores.
E durante todo o ano as plantas florescem.

Ali as árvores mel selvagem gotejam.
E o vinho e o hidromel nunca terminam.
Nenhum habitante conhece a dor ou a doença
E a morte ou decadência nunca estão perto de lá.

A festa nunca se interrompe nem a caça cansa,
Nem tão pouco para de tocar as músicas dos salões;
O ouro e as jóias da Terra da Juventude
Brilham com esplendor jamais conhecidos por homem algum.

Terás cavalos de boa linhagem
Terás cães que correm mais que o vento
Uma centena de guerreiros que o seguirão nas batalhas
Uma centena de donzelas que cantarão para que possas dormir.

Uma Coroa do Soberano levarás na fronte,
E ao teu lado uma arma mágica sempre estará,
E será o senhor de toda a Terra da Juventude,
E senhor de Niam dos cabelos dourados

Ao terminar a canção, Oisin foi montar no corcel mágico, e, sustentando a donzela em seus braços desapareceu como um raio de luz faria no bosque.

Traduzido por Bruno Dahia.

Originalmente publicada em Templo do Conhecimento (http://www.templodoconhecimento.com).

10/08/2009 at 5:52 pm 1 comentário

A Divina Comédia

17136_338Terminei de ler este livro há algumas semanas. Acredito que muitos devem conhecê-lo, mesmo que apenas de nome, pois é uma obra muito famosa, clássica, e que transcende o âmbito de seu gênero.

Foi escrita pelo poeta italiano Dante Alighieri, no início do século XIV. Na obra ele descreve uma viagem feita por ele pelos três reinos aos quais as almas das pessoas são destinadas, de acordo com as crenças cristãs: o Inferno, o Purgatório e o Paraíso. A responsável por ele fazer esta jornada é sua amada Beatriz, que, já falecida, pede que os espíritos superiores o procurem e o guiem através destes lugares, para que Dante fique a par do que lhe espera, e para que ele mude seu comportamento enquanto ainda há tempo de ser salvo.

danteinf3313Obviamente as passagens mais impressionantes são durante o Inferno, pois lá estão os castigos e punições mais cruéis a que são submetidos aqueles que em vida tiveram comportamentos e ações condenáveis, de acordo com os padrões morais vigentes da época. Como este que mostra a figura, das almas transformadas em árvores, para serem constantemente esfoliadas por Harpias infernais.

De acordo com Dante, o Inferno é dividido em 10 partes, a primeira chamada Anteinferno, e depois as 9 restantes chamadas de os 9 círculos. Em cada um deles encontravam-se as almas daqueles que cometeram variados tipos de pecados, e por isso recebiam punições diversas. Um detalhe curioso é que Dante fez com que ele encontrasse nessa peregrinação vários de seus desafetos e inimigos políticos da época, dando sua interpretação pessoal a cada um deles, e o castigo que lhe parecia merecedor.

Avareza_danteNo Purgatório encontram-se aqueles que pecaram, mas aos que ainda é concedida uma esperança de dali saírem e entrarem no reino dos céus. Por isso as punições são menos severas e dolorosas se comparadas com as submetidas no Inferno. Dentre as que podemos encontrar está a dos que cometeram o pecado da avareza, e por isso devem permanecer prostados no chão, sem poder se levantar ou ao menos olhar para cima (como pode-se ver na figura).

É na entrada do Purgatório que Dante vislumbra pela primeira vez a figura de um anjo, muito solene e imponente.

Ao chegar ao Paraíso, Dante já não encontra mais almas sendo castigadas, mas sim apenas aquelas recebendo os louros e prêmios por sua devoção às leis de Deus enquanto viviam na Terra. É uma parte mais calma do passeio, durante a qual Dante aprende com mais tranquilidade os ensinamentos que cada uma delas lhe passa, enquanto sobe cada vez mais, em direção ao topo do céu, onde se encontra Deus.

A Divina Comédia - Paraiso 02Na figura ao lado, Dante se encontra com Beatriz (sua guia nesta parte da jornada) e na presença de várias figuras famosas do panteão cristão, como Ananias, São João e Adão. Dante está de cabeça baixa não apenas por respeito, mas também porque como ainda está vivo, numa forma carnal e mortal, não suportaria encarar espíritos tão elevados e iluminados, pois a luz de suas almas poderia simplesmente queimá-lo e fazê-lo evaporar.

Eu gostei do livro, é verdade que ele tem uma linguagem um pouco rebuscada, mas isso é perfeitamente compreensível por causa da época em que foi escrito. Na verdade em determinados momentos isso até desaparece, e a estória toma rumos de uma verdadeira aventura, uma estória de ação, de acordo com as coisas que Dante vê e faz (um bom exemplo é a fuga dele e de seu guia dos demônios que os perseguem, no quinto círculo do Inferno). E verdade seja dita, os capítulos sobre o Inferno são realmente os mais fascinantes, devido aos castigos que os condenados são submetidos.

10/07/2009 at 1:28 am 6 comentários

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