Os números de 2011
Os duendes de estatísticas do WordPress.com prepararam um relatório para o ano de 2011 deste blog.
Aqui está um resumo:
Um bonde de São Francisco leva 60 pessoas. Este blog foi visitado cerca de 1.500 vezes em 2011. Se fosse um bonde, eram precisas 25 viagens para as transportar.
A Infelicidade da Juventude
A Infelicidade da Juventude.
O que faz da juventude um período infeliz é a caça à felicidade, na firme pressuposição de que ela tem de ser encontrada na existência. Disso resulta a esperança sempre malograda e, desta, o descontentamento. Imagens enganosas de uma vaga felicidade onírica pairam perante nós revestidas de formas caprichosamente escolhidas, fazendo-nos procurar em vão o seu original. Por isso, nos anos da juventude, estamos quase sempre descontentes com a nossa situação e o nosso ambiente, não importando quais sejam; porque lhes atribuímos o que na verdade pertence, em toda a parte, à vacuidade e à indigência da vida humana, com as quais só então travamos o primeiro conhecimento, após termos esperado coisas bem diversas. Ganhar-se-ia bastante se, pela instrução em tempo apropriado, fosse erradicada nos jovens a ilusão de que há muito a encontrar no mundo. Porém, é o contrário que acontece: na maioria das vezes, conhecemos a vida primeiro pela poesia, e depois pela realidade.Na aurora da nossa juventude, as cenas descritas pela poesia resplandecem diante dos nossos olhos, e o anelo atormenta-nos para vê-las realizadas, a tocar o arco-íris. O jovem espera que o curso da sua vida se dê na forma de um romance interessante. Nasce, então, a ilusão descrita no já mencionado segundo volume da minha obra principal. Pois o que confere a todas aquelas imagens o seu encanto é justamente o facto de elas serem meras imagens, e não a realidade, e nós, por conseguinte, ao intuí-las, encontrarmo-nos na calma e na suficiência plena do conhecer puro. Tornar-se realizado significa ser preenchido pelo querer, que inevitavelmente produz dores.
Arthur Schopenhauer, in ‘Aforismos para a Sabedoria de Vida’
Vikings, os Conquistadores
Finalmente assisti esse filme, Vikings, os Conquistadores (The Vikings, 1958), tinha baixado ele faz um tempão, mas ficava enrolando pra vê-lo. E devia ter visto a muito mais tempo, pois ele é ótimo, não só pra quem é fã do tema mas também pra qualquer pessoa que goste de um épico emocionante e empolgante.
A estória acontece num período entre os séculos VIII e IX D.C. , quando os vikings atacavam constantemente a ilha da Inglaterra. Em um desses ataques o rei viking Ragnar mata o rei Edwin, da Northumbria, e violenta a rainha Enid. O irmão do rei, Aella, assume o trono, e a rainha, para proteger o filho bastardo que teve causado pelo ataque, manda que ele seja criado longe dali. Vinte anos depois Aella ainda sofre com as investidas dos vikings, ainda mais porque é auxiliado por um nobre inglês, que depois que é desmascarado se junta aos invasores, e continua a lhes desenhar mapas do território inglês.
Ao se juntar ao rei Ragnar e a seu filho Einar o traidor inglês, Egbert, consegue convencê-los a interceptar o navio que trazia a princesa Morgana, que estava comprometida a se casar com o rei Aella. A idéia dele era levá-la de volta exigindo um resgate, mas na verdade o que ele realmente planejava era levar o escravo Eric, pois tinha reconhecido nele o filho da rainha Enid, e portanto legítimo sucessor ao trono inglês. Mas seus planos são frustrados porque Einar resolve tomar a princesa para si, e quando vai tentar possuí-la Eric o nocauteia e foge com Morgana, pois está apaixonado por ela, assim como ela por ele. Quando os vikings saem em seu encalço o navio de Ragnar afunda, e Eric o resgata do mar, levando-o prisioneiro para Aella, que o executa, além de cortar uma das mãos de Eric, por este ter tido um pouco de misericórdia na execução do velho rei viking.
Depois disso Eric retorna à terra dos vikings, e os ajuda a chegar com mais precisão e eficácia à Inglaterra, participando do ataque ao castelo do rei, na intenção de resgatar Morgana. Mas Einar ainda não desistiu dela, e os dois terão que se enfrentar, até a morte de um deles.
Eu achei o filme ótimo, uma produção muito requintada, preocupada com a fidelidade em relação aos detalhes. Inclusive foi notável perceber que eles não cometeram um clichê pavoroso comum quando se trata dos vikings, que é aquele absurdo dos elmos com chifres, como se fossem vacas. Os elmos que eles usam são iguais aos usados pelos vikings na vida real. A se lamentar apenas o fato do Kirk Douglas não ter usado barba, destoando um pouco da aparência dos demais vikings. Mas isso é meio que explicado de uma maneira até bem-humorada no começo do filme. E as paisagens são deslumbrantes, principalmente quando mostram os navios vikings chegando e saindo de suas terras. Inclusive aquelas são locações feitas na própria Noruega. O livro foi baseado em um livro, chamado The Viking, do autor Edison Marshall. Espero um dia conseguir ler, pois imagino que seja tão bom quanto o filme, talvez até mesmo melhor.
A Liberdade da Auto-Suficiência
A Liberdade da Auto-Suficiência
Quanto mais uma pessoa tem em si, tanto menos os outros podem ser alguma coisa para ela. Um certo sentimento de auto-suficiência é o que impede os indivíduos de riqueza e valor intrínseco de fazerem os sacrifícios importantes, exigidos pela vida em comum com os outros, para não falar em procurá-la às custas de uma considerável auto-abnegação. O oposto disso é o que torna os indivíduos comuns tão sociáveis e acomodáveis: para eles, é mais fácil suprotar os outros do que eles mesmo. Acrescente-se a isso que aquilo que possui um valor real não é apreciado no mundo, e aquilo que é apreciado não tem valor. A prova e consequência disso estão no retraimento de todo o homem digno e distinto. Assim sendo, será genuína sabedoria de vida de quem possui algo de justo em si mesmo, se, em caso de necessidade, souber limitar as suas próprias carências, a fim de preservar ou ampliar a sua liberdade, isto é, se souber contentar-se com o menos possível para a sua pessoa nas relações inevitáveis com o universo humano.
Por outro lado, o que faz dos homens seres sociáveis é a sua incapacidade de suportar a solidão e, nesta, a si mesmos. Vazio interior e fastio: eis o que os impele tanto para a sociedade quanto para os lugares exóticos e as viagens. O seu espírito carece de força impulsora própria para conferir movimento a si mesmo, o que faz com que procurem intensificá-la mediante o vinho. E muitos, ao tomar esse caminho, tornam-se alcoólatras. Justamente por isso, os homens precisam sempre de estímulo exterior, e do mais forte, ou seja, dos seus iguais. Sem ele, o seu espírito decai sob o próprio peso, prostrando-se numa letargia esmagadora.
Arthur Schopenhauer
Príncipe Caspian
Depois de um longo e vergonhoso hiato, finalmente criei vergonha na cara e retomei minhas leituras. Como eu estava lendo a série As Crônicas de Nárnia este foi o primeiro livro desta minha volta, Príncipe Caspian, o 4º volume da série.
A estória deste livro continua a partir do 2º volume da série, O Leão, a Feiticeira e o Guarda-roupa, no qual o quarteto de irmãos formado por Pedro, Susana, Edmundo e Lúcia descobrem o mundo de Nárnia, ajudam os habitantes a se livrarem da tirania da Feiticeira Branca, e depois se tornam reis e rainhas de lá, reinando por vários anos.
No início do livro eles estão em uma estação de trem, esperando pra viajarem pra suas respectivas escolas, pois seus períodos de férias acabaram. Mas enquanto estão lá começam a sentir uma sensação estranha, como se estivessem sendo puxados por uma força invisível, e o local ao redor deles se transformando radicalmente. Quando esse processo termina, eles se vêem não mais em uma empoeirada estação urbana, mas sim em uma praia, tendo logo atrás de si uma floresta muito fechada.
Depois de explorarem o lugar e analisarem as evidências e pistas se dão conta de que estão de volta à Nárnia, porém muitos séculos depois do período em que reinaram. Percebem pelo estado das ruínas das construções que algo deve ter acontecido, que mudou totalmente o país, e provavelmente afetou a vida dos habitantes. Quando ainda estavam decidindo o que fazer e pra onde ir, são surpreendidos com a visão de uma execução, de um anão, chamado Trumpkin, por soldados telmarinos. Então decidem invervir, salvando a vida do pequeno prisioneiro, e ele lhes coloca a par dos acontecimentos, que resultaram na situação em que Nárnia se encontra.
Então decidem ir na ajuda do príncipe Caspian, para auxiliá-lo a depor o tirano rei Miraz, tio de Caspian. Inclusive os quatro irmãos foram trazidos à Nárnia por Caspian, quando este soprou a corneta mágica de Susana, para que algum auxílio fosse enviado, apesar deles não saberem qual seria. E Trumpkin havia sido capturado pelos soldados de Miraz justamente quando se dirigia às ruínas do castelo de Cair Paravel, um dos locais ao qual havia sido enviados mensageiros, para verificar se a ajuda realmente teria chegado.
Eu gostei do livro, apesar de achar menos interessante que o volume anterior, O Cavalo e seu Menino. Talvez por ele repetir os mesmos personagens de O Leão, a Feiticeira e o Guarda-roupa me pareceu menos surpreendente. As partes que mais gostei são as de quando é contada a estória do crescimento de Caspian, sua educação e treinamento para se tornar um bom possível rei, e o evento da rebelião durante uma reunião secreta, quando outro anão, chamado Ninabrik, traz como convidados uma velha feiticeira e um lobisomem, mas eles demonstram ser de nenhuma confiança, e durante uma grande briga acabam mortos, não sem antes causar a morte do próprio Ninabrik.
No final da estória Aslam cria um portal para mandar de volta à Terra as crianças, e também telmarinos que desejem retornar à sua terra natal (pois Aslam lhes explica que eles não são naturais de Nárnia e lhes conta a estória de sua chegada lá), deixando assim o controle com os habitantes nativos, os animais e criaturas mágicas.
O Guarda-Costas Em Ação
Anteontem eu vi, em um post do IMDB no Facebook, que está sendo cogitado lá em Hollywood um remake do filme O Guardas Costas, aquela tranqueira com o Kevin Costner e a Whitney Houston. Daí me lembrei de que já existe outra versão, uma chinesa, com o Jet Li, chamada O Guarda-Costas Em Ação (Zhong Nan Hai bao biao, 1994)
Na estória um corrupto homem de negócios comete um assassinato, e a única testemunha é a namorada de outro empresário, amigo do governo chinês. Então um guarda-costas de Pequim é enviado pra protegê-la, mas as coisas não correm tão facilmente como eles esperavam, por ela se recusar a cooperar nos procedimentos de segurança, e principalmente porque os dois começam a se sentir atraídos.
Motivos pra essa versão ser imensamente superior à outra não faltam. Pra começar, não se tem aquela maldita música, com aquele refrão insuportável, uma gritaria ridícula, que pra aumentar o nosso sofrimento, muitas pessoas acham que sabem fazer igual, e aí dá-lhe mais berros ridículos e constrangedores.
Além disso é óbvio que o Jet Li é um ator de ação infinitamente melhor do que o Kevin Costner (se é que dá pra considerar este último como sendo um ator do gênero), as sequências de ação e luta da versão chinesa são muito mais legais e empolgantes, e pra terminar a mulher que o guarda-costas tem que proteger é muito mais bonita do que a do filme americano, na minha opinião.
Então pra quem quiser assistir uma estória legal com este tema, eu recomendo que vejam este filme. Tenho certeza de que depois que o fizerem nunca mais vão suportar ver aquela bomba com a Whitney Houston, que eu não recomendo nem pro meu pior inimigo (seria crueldade demais).
Cálix
Conheci esta banda através do Lastfm, quando procurava por bandas semelhantes ao Vlad V, que gosto muito. E realmente, o som deles é na mesma linha do da banda catarinense, rock progressivo com muitas influências de música folk.
O Cálix é uma banda mineira, de Belo Horizonte, já com 10 anos de carreira. Neste período eles lançaram dois álbuns de estúdio, Canções de Beurin, de 2000, e A Roda, de 2002, e um álbum ao vivo, Ventos de Outono, de 2007, além de um DVD, Ao Vivo, também de 2007.
Eu achei demais o som deles, adorei, citando um texto contido no site oficial, é (…)”música que faz sonhar, sentir o som na pele, sentir o som percorrendo o corpo. Poesia (…)”. Espero que eles continuem em atividade ainda por muitos anos, lançando trabalhos tão maravilhosos como os que já lançaram. Pra quem quiser conhecer, deixo o endereço do site oficial, onde pode-se ouvir músicas e assistir vídeos:
Os números de 2010
Os duendes das estatísticas do WordPress.com analisaram o desempenho deste blog em 2010 e apresentam-lhe aqui um resumo de alto nível da saúde do seu blog:

O Blog-Health-o-Meter™ indica: Este blog é fantástico!.
Números apetitosos
Um Boeing 747-400 transporta 416 passageiros. Este blog foi visitado cerca de 4,200 vezes em 2010. Ou seja, cerca de 10 747s cheios.
Em 2010, escreveu 6 novo artigo, aumentando o arquivo total do seu blog para 35 artigos. Fez upload de 7 imagens, ocupando um total de 286kb.
The busiest day of the year was 20 de janeiro with 42 views. The most popular post that day was Sleipnir.
De onde vieram?
Os sites que mais tráfego lhe enviaram em 2010 foram meiapalavra.mtv.uol.com.br, orkut.com.br, blog.meiapalavra.com.br, kozmicnana.blogspot.com e anica.com.br
Alguns visitantes vieram dos motores de busca, sobretudo por sleipnir, a divina comédia, purgatório, hammerfall e the hunt for gollum
Atracções em 2010
Estes são os artigos e páginas mais visitados em 2010.
Sleipnir abril, 2009
1 comentário
A Divina Comédia julho, 2009
5 comentários
The Hunt for Gollum novembro, 2009
O poder da imaginação agosto, 2008
1 comentário
Círculo de Paixões setembro, 2008
5 comentários
O Maior Amante do Mundo
Na madrugada de hoje passou este filme na tv, O Maior Amante do Mundo (The World’s Greatest Lover, 1977), e mesmo já tendo assistido algumas vezes eu vi novamente, porque vale a pena, é uma comédia muito boa.
Na estória, que se passa durante a época do cinema mudo, o personagem de Gene Wilder, um padeiro neurótico e frustrado, resolve tentar um teste que um estúdio de cinema está promovendo, pra escolher o próximo galã de seus filmes, e assim tentar obter o mesmo sucesso que outro estúdio tem conseguido com os filmes do astro Rodolfo Valentino.
Mas o que o pobre aspirante a estrela de cinema não imagina é que sua jovem esposa, assim como a maioria das mulheres da época, é apaixonada por Valentino, e aproveita a ida para Hollywood para tentar “fugir” com ele. Mais eu não posso contar sem estragar a surpresa de quem resolver assistir o filme, hehe
Uma coisa que eu gosto nesse filme é que ele é daquele tipo de filme cuja qualidade do humor se baseia no talento do protagonista, nos seus trejeitos, gags. Não como na maioria das comédias de hoje, onde poderia-se colocar qualquer um no lugar dos atores principais que não faria diferença. Além de Gene Wilder outros atores que também têm esse talento que eu posso citar seriam Steve Martin, John Candy, Richard Pryor. E no caso do Wilder o seu dublador faz uma voz que contribui pra deixar as cenas ainda mais engraçadas, pois combina perfeitamente com o tipo neurótico e estabanado da maioria de seus personagens. Eu sei que muita gente tem aversão a filmes dublados, e eu até concordo. Mas em comédias acho que esse recurso mais ajuda do que atrapalha, ainda mais se forem do tipo “pastelão” como esta do post. Então eu indico este filme, quem tiver a oportunidade assista, pois não vão se arrepender.
Corpos em exposição
Li este texto em um blog, e gostei muito, concordo plenamente com o que é dito. Por isso estou reproduzindo-o aqui.
Corpos em exposição.
Anotem: daqui a 20 anos, a pedofilia vai ser passado. Sim, isso pode ser dito com base no que se encontra em redes de relacionamento na Internet. Não é meramente um papo moralista. Eu diria que é uma conversa realista. Isso sim!
Digamos que em 1995, as mulheres que faziam questão de mostrarem seus corpos para atrair macho, arrancar elogio de macho e fazer macho babar tinham seus 26, 28 anos. Em 2000, digamos que as mulheres que se mostravam de alguma forma tinham seus 20 anos de idade. Em 2005, já com a total disseminação da Internet, a faixa etária de meninas que se mostravam em fotologs, blogs e qualquer rede de relacionamento beirava os 18. Hoje, 2010, é fácil, enquanto se vaga por perfis de Orkut, por exemplo, encontrar meninas de 15, 16 anos mostrando tudo: são fotos com saias curtíssimas, são fotos em que as meninotas posam de biquíni, lingerie, fazendo caras e bocas sensuais, mostrando suas linguinhas e seus bundões, etc.
Então, escrevam: daqui uns 10 anos, vai ser normal encontrarmos, na Internet, meninas comuns – não estamos falando em atrizes pornôs, prostitutas, etc – com seus 8 ou 9 anos de idade se mostrando. Aí, com essa banalização, lá por 2020, a pedofilia vai ser história do passado. Sim, porque, lamentavelmente, crianças e adolescentes de até 13 e 14 anos já se expõe sem censura na Internet, então imagina no futuro, se considerarmos banalização da exposição do corpo! Que pedófilo vai poder ser culpado se tudo está acessível a todos?
Nós, mulheres, reclamamos que os homens não nos respeitam, não nos consideram. O problema é que muitas de nós, a maioria, eu diria, joga nosso sexo na sarjeta, quando se expõe, quando liberam tudo pra qualquer desconhecido somente porque têm problemas de auto-estima, e precisam, assim, de elogios para inflarem seus egos!
A desvalorização do sexo feminino, amigas, é culpa unicamente nossa. Sim, somos nós, mulheres, que fazemos tudo ser fácil, acessível, vulgar Quem, então, vai valorizar algo que é de todos? Quem vai valorizar uma mulher cujo corpo, as curvas, os seios e as calcinhas estão jogadas em sites de relacionamento, pra que qualquer um veja, babe, fantasie e usufrua à vontade, ainda que em pensamento?
Texto de autoria de Angela C. Antunes, publicado originalmente no blog Spross Magazine. (www.sprossmagazine.blogspot.com)
