A Filha do Rei da Juventude
Enquanto Finn e seu filho Oisin, junto a vários companheiros, caçavam em uma manhã brumosa de verão pela margem do lago Lena, foram investigar uma belíssima moça, montada em um corcel branco como a neve. Ela levava um traje de rainha: uma coroa de ouro e um manto de seda marrom com estrelas de ouro que a envolviam e arrastavam pelo solo.
Seu Cavalo levava adornos de ouro.
A donzela se aproximou de Finn e com ele falou:
-Desde longe vim e te encontrei, Finn, filho de Cumhal.
-Qual é sua terra, donzela, e o que desejas de mim?
-Meu nome é Niam a do cabelo dourado. Sou filha do rei da Terra da Juventude, e o que me trouxe aqui é o amor pelo vosso filho Oisin.
Ela girou e falou com o jovem guerreiro e lhe falou com uma voz que ninguém poderia negar algo que fosse pedido:
-Virá comigo, Oisin, à terra de meus pais?
-Contigo irei até o fim do mundo.
Então a donzela falou sobre sua terra, e enquanto o fazia, uma calma de sonhos inundou todas as coisas. Nenhum cavalo se moveu, os cães deixaram de latir, nenhum som do vento mexeu as folhas do bosque.Os homens estavam tão maravilhados que tudo o que ela falou, só puderam se lembrar:
É uma terra deliciosa, acima de todos os sonhos
Mais bela que qualquer coisa jamais vista pelos olhos.
Lá todos os anos têm frutos nas árvores.
E durante todo o ano as plantas florescem.
Ali as árvores mel selvagem gotejam.
E o vinho e o hidromel nunca terminam.
Nenhum habitante conhece a dor ou a doença
E a morte ou decadência nunca estão perto de lá.
A festa nunca se interrompe nem a caça cansa,
Nem tão pouco para de tocar as músicas dos salões;
O ouro e as jóias da Terra da Juventude
Brilham com esplendor jamais conhecidos por homem algum.
Terás cavalos de boa linhagem
Terás cães que correm mais que o vento
Uma centena de guerreiros que o seguirão nas batalhas
Uma centena de donzelas que cantarão para que possas dormir.
Uma Coroa do Soberano levarás na fronte,
E ao teu lado uma arma mágica sempre estará,
E será o senhor de toda a Terra da Juventude,
E senhor de Niam dos cabelos dourados
Ao terminar a canção, Oisin foi montar no corcel mágico, e, sustentando a donzela em seus braços desapareceu como um raio de luz faria no bosque.
Traduzido por Bruno Dahia.
Originalmente publicada em Templo do Conhecimento (http://www.templodoconhecimento.com).
1 comment Agosto 10, 2009
Rock ‘n Roll Music
Pra comemorar o Dia Internacional do Rock nada melhor do que um vídeo da melhor banda de todos os tempos, tocando este clássico do estilo =)
Add comment Julho 13, 2009
A Divina Comédia
Terminei de ler este livro há algumas semanas. Acredito que muitos devem conhecê-lo, mesmo que apenas de nome, pois é uma obra muito famosa, clássica, e que transcende o âmbito de seu gênero.
Foi escrita pelo poeta italiano Dante Alighieri, no início do século XIV. Na obra ele descreve uma viagem feita por ele pelos três reinos aos quais as almas das pessoas são destinadas, de acordo com as crenças cristãs: o Inferno, o Purgatório e o Paraíso. A responsável por ele fazer esta jornada é sua amada Beatriz, que, já falecida, pede que os espíritos superiores o procurem e o guiem através destes lugares, para que Dante fique a par do que lhe espera, e para que ele mude seu comportamento enquanto ainda há tempo de ser salvo.
Obviamente as passagens mais impressionantes são durante o Inferno, pois lá estão os castigos e punições mais cruéis a que são submetidos aqueles que em vida tiveram comportamentos e ações condenáveis, de acordo com os padrões morais vigentes da época. Como este que mostra a figura, das almas transformadas em árvores, para serem constantemente esfoliadas por Harpias infernais.
De acordo com Dante, o Inferno é dividido em 10 partes, a primeira chamada Anteinferno, e depois as 9 restantes chamadas de os 9 círculos. Em cada um deles encontravam-se as almas daqueles que cometeram variados tipos de pecados, e por isso recebiam punições diversas. Um detalhe curioso é que Dante fez com que ele encontrasse nessa peregrinação vários de seus desafetos e inimigos políticos da época, dando sua interpretação pessoal a cada um deles, e o castigo que lhe parecia merecedor.
No Purgatório encontram-se aqueles que pecaram, mas aos que ainda é concedida uma esperança de dali saírem e entrarem no reino dos céus. Por isso as punições são menos severas e dolorosas se comparadas com as submetidas no Inferno. Dentre as que podemos encontrar está a dos que cometeram o pecado da avareza, e por isso devem permanecer prostados no chão, sem poder se levantar ou ao menos olhar para cima (como pode-se ver na figura).
É na entrada do Purgatório que Dante vislumbra pela primeira vez a figura de um anjo, muito solene e imponente.
Ao chegar ao Paraíso, Dante já não encontra mais almas sendo castigadas, mas sim apenas aquelas recebendo os louros e prêmios por sua devoção às leis de Deus enquanto viviam na Terra. É uma parte mais calma do passeio, durante a qual Dante aprende com mais tranquilidade os ensinamentos que cada uma delas lhe passa, enquanto sobe cada vez mais, em direção ao topo do céu, onde se encontra Deus.
Na figura ao lado, Dante se encontra com Beatriz (sua guia nesta parte da jornada) e na presença de várias figuras famosas do panteão cristão, como Ananias, São João e Adão. Dante está de cabeça baixa não apenas por respeito, mas também porque como ainda está vivo, numa forma carnal e mortal, não suportaria encarar espíritos tão elevados e iluminados, pois a luz de suas almas poderia simplesmente queimá-lo e fazê-lo evaporar.
Eu gostei do livro, é verdade que ele tem uma linguagem um pouco rebuscada, mas isso é perfeitamente compreensível por causa da época em que foi escrito. Na verdade em determinados momentos isso até desaparece, e a estória toma rumos de uma verdadeira aventura, uma estória de ação, de acordo com as coisas que Dante vê e faz (um bom exemplo é a fuga dele e de seu guia dos demônios que os perseguem, no quinto círculo do Inferno). E verdade seja dita, os capítulos sobre o Inferno são realmente os mais fascinantes, devido aos castigos que os condenados são submetidos.
3 comments Julho 10, 2009
Festim Diabólico
Na madrugada da última quarta-feira passou este filme na tv, Festim Diabólico (Rope, 1948), do cineasta Alfred Hitchcock. Mesmo já tendo assistido várias vezes não hesitei e assisti mais uma, pois o filme é ótimo (como a maioria de seus filmes, aliás).
Na estória dois jovens que moram juntos em um apartamento, Brandon e Phillip, decidem, após interpretarem erroneamente uma teoria que um antigo professor pregava, assassinar um colega, David, por o considerarem “inferior” intelectualmente, e portanto indigno de viver entre eles. Não satisfeitos, após o matarem ainda escondem o cadáver em uma arca na sala do apartamento, e depois convidam seus pais, sua namorada, um outro colega e o professor que os “inspirou” para um jantar, usando a arca como mesa para servirem as comidas.
Com o passar do tempo eles (principalmente Brandon) vão expondo sua teoria, tentando convencer os convidados de que ela tem lógica e é válida. Ou seja, trata-se de um show de sadismo, pelo fato do rapaz assassinado estar tão próximo. Mas ao contrário de Brandon, que se delicia com essa sua “exibição”, seu cúmplice Phillip vai ficando cada vez mais nervoso, e obviamente põe tudo a perder.
Esse filme ficou famoso pelo método como Hitchcock resolveu filmá-lo, quase em “tempo real”, isto é como se fosse ao vivo. Pode-se perceber isso quando, em alguns momentos, a câmera propositadamente focaliza um ponto escuro, para que o filme fosse trocado. Isso resultou em um ritmo muito dinâmico, praticamente parecido ao de uma peça teatral, onde toda a trama se transcorre em apenas um local, no caso do filme a sala do apartamento.
De ruim, pode-se apontar apenas o título que o filme recebeu ao ser lançado aqui no Brasil, pois dá a impressão de se tratar de um mero filme de terror, o que é claro está longe de ser verdade. Dentre os muitos momentos memoráveis, além de um diálogo de alto teor de humor negro quando chega ao jantar o primeiro convidado, há também outro quando os convidados começam a conversar sobre cinema, e é citado, de maneira indireta, outro filme do diretor, realizado antes.
Enfim, mais uma vez o “Mestre do Suspense” mostra que é total merecedor do apelido.
Add comment Julho 3, 2009
Bob Catley
Faz tempo que eu tinha lido sobre esse álbum em uma revista, mas sempre me esquecia de ir atrás pra ouví-lo. Ontem me lembrei e aproveitei pra baixá-lo.
O artista em questão é o vocalista de uma banda inglesa de hard rock dos
anos 80, chamada Magnum, com um considerável sucesso. Pelo nome do álbum quem está familiarizado com os livros e filmes da série Senhor dos Anéis já sabe do que se trata. São músicas cujas letras são inspiradas nas estórias dos livros. Mas não é um álbum conceitual, ou seja todas as letras contando apenas uma estória, do começo ao fim. Acho que tratam de estórias diversas (apesar de mesmo assim estarem interligadas, como acontece nas obras do Tolkien).
Sobre o som, é um hard rock, com alguns leves toques de progressivo, resultando em algo próximo do AOR. Um som muito bonito e agradável de se ouvir, quem gosta de rock mas não tão pesado, com uma certa acessibilidade, eu recomendo, pois é muito bom.
Até mais.
Add comment Junho 29, 2009
Macbeth
Li este livro ontem, ou melhor, parte dele, já que é uma coletânea de peças, no caso o primeiro volume, dedicado às tragédias (o segundo volume contém as comédias).
Eu gostei, mas confesso que esperava mais, já que é uma das peças mais famosas do autor. A estória é boa: um general do Rei Duncan da Escócia, Macbeth, após ter um encontro com três feiticeiras, que predizem que ele será rei, decide não esperar que isso aconteça naturalmente, e apressa a oportunidade, assassinando o rei enquanto este dormia em sua casa, durante uma visita. Após isso Macbeth é acometido de um grande sentimento de culpa, que o leva a mergulhar em uma paranóia, e planeja (e executa) mais assassinatos, para tentar se manter seguro no trono usurpado.
Entre os momentos que mais gostei está o de quando ele começa a ter visões de um (suposto) inimigo que ele mandou matar o assombrando, durante um jantar, e também quando a floresta “se move” em direção ao seu castelo, para atacá-lo.
Apenas não gostei muito do ritmo no qual a estória transcorre, um pouco rápido demais e afobado, na minha opinião. Mesmo assim recomendo a leitura, é uma ótima opção para quem quiser ler uma estória sobre como o sentimento de culpa pode corromper alguém.
Até mais.
3 comments Maio 21, 2009
Sobras de ouro
Terminei de ler este livro, Contos Inacabados, de J. R. R. Tolkien. Como o título já denuncia, trata-se de uma obra que reúne estórias que não foram terminadas por ele.
Este livro funciona como uma espécie de complemento às estórias dos livros “oficiais”, O Silmarillion, O Hobbit e O Senhor dos Anéis. Nestes livros citados existem, dentro das estórias principais e que são descritas com mais detalhes, acontecimentos que são apenas mencionados de leve, sem se aprofundarem. Pois no Contos Inacabados eles são contados com mais precisão, na íntegra. Isso é muito bom, pois ajuda a elucidar as dúvidas que por vezes surgem quando lemos, do tipo “mas onde estava tal sujeito enquanto isso?”, ou “mas como isso aconteceu, exatamente?”.
Apesar desse atrativo, é um livro cuja leitura é recomendada apenas a aqueles mais aficcionados pelo universo da Terra-média, e que querem sempre saber mais, porque as estórias contidas nele não seguem uma sequência rígida, são bem espaçadas entre si, e também várias vezes são interrompidas para que se haja os comentários do autor e do editor, e isso pode causar uma diminuição no ânimo dos que estejam lendo.
Para mim o livro serviu (não que eu precisasse) como m ais uma prova da genialidade de Tolkien, pois sua criatividade e imaginação eram tão grandes que ele estava sempre escrevendo algo mais sobre esse mundo tão rico que criou, sempre com a qualidade que o fez famoso.
Até mais.
Add comment Maio 20, 2009
Medium
Descobri este seriado de TV a pouco tempo, no ano passado. E gostei
Nele uma dona-de-casa, casada e mãe de três filhas, descobre ter poderes sensitivos, e através deles ajuda a promotoria a desvendar crimes e a prender os criminosos. Uma coisa que gostei sobre a personagem principal (vivida pela atriz Patricia Arquette) é que parece não existir uma fórmula definida pela qual ela recebe as informações dos mortos. É verdade que o expediente mais usado na série são os sonhos, mas ela também obtém pistas e dicas de outras maneiras, seja vendo e conversando com os espíritos dos falecidos, ou lendo as mentes das pessoas. Essa imprevisibilidade torna as estórias muito empolgantes, pois ao assistirmos não sabemos quando ela vai ter alguma visão, já que nem mesmo ela sabe.
Como curiosidade, vale a pena citar que o seriado é inspirado na vida de uma real médium, chamada assim como a personagem Allison Dubois, que inclusive participa do programa servindo como consultora.
Abaixo coloco a abertura da série, que gostei muito.
2 comments Maio 15, 2009
Sleipnir
Segundo a mitologia nórdica, a parede que cercava Asgard foi destruída durante uma batalha entre os Vanir e os Aesir, deixando a defesa dos deuses vulnerável aos ataques dos gigantes.
Um dia um construtor chamado Blast foi a Asgard e ofereceu reconstruir a parede em troca de a deusa Freya consentir em tornar sua esposa, e pediu também o sol e a lua como pagamento.Os deuses queriam a parede reconstruída, mas os termos pedidos pelo gigante eram absurdos. No entanto, o deus Loki propôs uma maneira de atrasar o gigante e de conseguir alguma parte da parede reconstruída. Os deuses então aceitaram as exigências do gigante , na condição de que o gigante só receberia seus pedidos caso acabasse a obra em três estações.

O gigante aceitou o trato sendo que ele levaria seu cavalo, Svadilfari, na construção da parede. O trabalho sucedeu muito mais rapidamente do que os deuses esperavam e começaram a se preocupar. Odin ameaçou matar Loki caso a parede fosse terminada no prazo proposto. Loki percebeu que o cavalo do gigante carregava muito peso, e distanciar o cavalo do gigante iria atrasar no término da construção da parede. Tomando a forma de uma égua jovem, Loki enganou o cavalo por um momento e o levou para o bosque, certificando-se que permaneceria ali até o dia seguinte. Quando Svadilfari voltou, seu amo estava demasiadamente atrasado para terminar sua obra no prazo estabelecido. O construtor estava tão enojado que revelou sua forma verdadeira, a de um gigante de rocha. O deus Thor se dando conta da situação, matou o gigante em um estalo com seu martelo mágico, Mjollnir. Meses se passaram quando Loki retornou a Asgard onde deu a luz a um cavalo de oito patas, e o deu de presente a Odin pelo nome de Sleipnir. O cavalo podia voar por terra, mar e ar, era mais veloz que qualquer outro ser.
Traduzido por Bruno Dahia.
Originalmente publicada em Templo do Conhecimento (http://www.templodoconhecimento.com).
1 comment Abril 29, 2009
Natalie e sua trupe
Um dos clipes mais legais que já vi, de uma de minhas bandas favoritas fora do Metal =)
Add comment Abril 22, 2009